Bem vindo às Terras de Salém. Onde a Magia nunca tem fim.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Um amigo que se vai






Um amigo que se vai
É um sorriso deixado no canto da boca
Imóvel
Surpreso consigo mesmo
Pelo estranho fato de não conseguir sair
Um amigo que se vai
É folha de livro grudada
Onde não se sabe o que ali está escrito
E com quem aconteceu o que...
Um amigo que se vai é a bola de sorvete caída no chão
É batida de porta de carro no dedo
É mordida na língua
É bicho abandonado e faminto
É injustiça
É falta de perdão
Um amigo que se vai é o vazio das tarde de domingo
Onde a estranheza das horas é só o que se tem
Um amigo que se vai é o que não se deseja a ninguém...

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Quero Morrer

Quero morrer de uma maneira plena e livre
Alçar um vôo leve e sereno, num céu de estrelas cintilantes
Pousar com calma num gramado verde e brilhante
Onde me esperem para brincar coelhos e esquilos

Quero morrer neste mundo sem consolo e sem perdão
Quero acordar renascida em mim mesma, na imensidão
E me reconhecer - a criança sorridente que nunca fui
Com o olhar perdido no balão que sobe mais e mais no azul

Quero nascer no outono das folhas avermelhadas pelo tempo
Crescer no inverno recolhida em calor e semente
Debutar na primavera das flores e do vento
E no verão ameno estar madura em corpo e mente

Quero morrer enfim, para o medo e para o nada
Voltar em muda escolhida a dedo e replantada
Quero morrer para a dúvida e a incerteza
E voltar em fruto colorido sobre a mesa


sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Soneto da morte ao luar


Dói-me no peito todas as dores deste mundo.
A vida esvai-se lenta e dolorida por minh’alma.
Nenhum sorriso me acalenta ou traz –me a calma.
Nenhum bálsamo cura-me o corpo nauseabundo.

Negra noite eterna se faz presente em meu viver.
Silencio e solidão são de mim os companheiros.
Somente alguns olhares passam por mim ligeiros.
E expressam pranto e compaixão pelo meu ser.

Abandonei-me à própria vida, auxiliando minha morte.
Poupei-lhe o tempo eterno de um pesar.
Mas ao contrário não sou um pobre, tenho sorte.

Morrerei ainda esta noite, lenta e suave morte.
A morte gentil e fremitante,
Daqueles que morrem sorrindo ao luar.


domingo, 10 de novembro de 2013

A Mente Que Habito



Não me entendo
Não me compreendo
Me arrependo
Um emaranhado de fios

Fios desencapados
Encostando-se
Dando curto
Queimando minha sanidade

Para onde? Por onde? Por quê? Quando?
Dúvidas, dúvidas...
Conflitos, dores, pudores, amores
Ilusão, desilusão, confusão, mais e mais dúvidas...

Meu, seu, nosso, de ninguém
Escuro, claro, longe, perto
Cima, baixo, um lado, ou outro
Que coisa de louco!

Será que sou louca?
Ou o mundo é que é?
Será que você é louco?
Será que nós somos?

Será que seremos nós?
Será que é só você?
Meu Deus, quantas perguntas...
Será que mais alguém vê?

Não me entendo
Não me compreendo
Só sei que está doendo
E me arrependo por isso

Vejo tudo
Ao mesmo tempo não vejo nada
Tenho tudo
Ao mesmo tempo não tenho nada

Poderia ser tudo mais fácil
Se não fosse tão difícil
Poderia ser mais rápido
Se não fosse tão demorado

Tudo depende da minha sanidade
Da minha dificuldade
Só lhe peço paciência
Não estou de bem com minha consciência

Não me entendo
Não me compreendo
Só sei que está doendo
Sim, eu estou vendo

Me desculpe, eu não faço por mal
Eu queria ser normal
Mas não consigo!
E nem sei por quê!

Não sei quem sou
Não sei o que quero
Não sei o que espero
Eu apenas não decido

Falemos sério agora
Na boa, eu não entendo
Eu não compreendo
Eu não ME entendo

Só sei que está doendo
E é difícil para mim, não saber mais do que isso
Está doendo
E é só isso

Um poema da "poetamiga" Jessica Kaczmarkiewcz, que com maestria rege as palavras que tocam música para a alma ouvir.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Toda Mulher é uma Bruxa – Parte II (ou O Folk da Feiticeira)

Um diálogo com o poema de um certo cético, um lord inglês, um filho de Shiva, mal humorado ao extremo e adorado pelas Bruxas de Salém na mesma intensidade.




Bruxas têm boa visão.
E boa audição possuem também!
Fingem não prestar atenção...
Mas enxergam e ouvem muito bem!

Bruxas são sinápticas.
Difícil as enganar.
Se divertem, mas são práticas.
Não se deixam assim levar...

Enganar uma bruxa não é fácil missão.
Há de ter perspicácia e habilidade.
Ao menor caso de distração.
Elas confrontam-te à realidade.

Feliz é aquele que sincero pensa.
Que sincero fala e sincero faz.
Há de ter bela recompensa.

Com uma bruxa amiga viver em paz!

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Partir




Partir ao meio
Dividir
Soltar
Deixar ir
Deixar rolar
Deixar seguir
Partir pra longe
Partir insone
Não encontrar
Reencontrar
Reconhecer
Assumir
Entender
Abstrair
Enlouquecer
Surtar
Sumir
Amar o todo
Partir o todo
Deixar voltar
Sentir
Sentir o pouco
Sentir o muito
Caminhar
Partir

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Muito




É que tenho muito.
Muito amor.
Fervo muito.
Muito ardor.
O contido e o vasto.
A libido e o casto.
O frio e o calor.
O cimento e o pasto.
O novo e o gasto.
Alegria e dor.
Régua e compasso.
O vivo e o nefasto.
O ódio e o amor.